Data: 23.05.2006 - Fonte: Fonte: Isto É Dinheiro
A apólice da Copa do Mundo contra tragédias é de 520 milhões de euros
Por Fábio altman
“O 11 de setembro de 2001 deixou cicatrizes em todo o mundo. Elas são visíveis em grandes eventos como as Olimpíadas e as Copas do Mundo. Nelas, os cuidados com a segurança, na luta contra o terrorismo, tornaram-se mais importante até que o esporte. Os organizadores do Mundial da Alemanha gastaram US$ 1,6 bilhão apenas com o rigoroso esquema contra bombas e hooligans, os malfadados torcedores selvagens. Como nem sempre a prevenção funciona, a FIFA contratou seguro para a eventualidade de cancelamento do torneio. É decisão histórica, com cifras idem. Não é uma apólice tradicional. Os cartolas de Zurique emitiram o equivalente a 230 milhões de euros em papéis no mercado de valores da Suíça, com o apoio do Credit Suisse First Boston, o CSFB. Caso ocorra o que é quase impossível ? o adiamento do Mundial ? esse montante será destinado aos patrocinadores e emissoras de televisão que bancam o evento. Já que apenas a compra de direitos de TV soma mais de 1,2 bilhão de euros, foi preciso fechar negócio também com garantias tradicionais, em um valor estimado de 290 milhões de euros. Total: 520 milhões de euros.
A postura da FIFA, embora pareça exagerada, é apenas cautelosa. É exigência das empresas que põem fortunas na Copa. `O futebol tem uma vantagem em relação aos Jogos Olímpicos`, diz Peter Luck, gerente de Riscos Especiais da Swiss Re, uma das maiores seguradoras do mundo. `Se houver algum impedimento de um ou outro estádio, as partidas podem ser transferidas de cidade, e isso foi levado em consideração no cálculo dos hipotéticos pagamentos`.
A improbabilidade de grandes tragédias não diminui a atenção com incidentes menores. Haverá a interrupção, durante os 30 dias da Copa, do Tratado de Schengen, de 1985, que permite a livre circulação de pessoas dos países fronteiriços sem a apresentação de passaporte. Ao longo do Mundial será obrigatório exibi-los.
A Alemanha tem fronteira com a Dinamarca, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Austria e França. `Fizemos tudo o que podia ser feito em medidas de segurança`, diz o holandês Gijs de Vries, chefe da coordenação anti-terror da União Européia. `Como vivemos em democracia, não há como dar 100% de garantia, mas os riscos são muito pequenos`.”

